I wrote your name in the sky, but the wind blew it away... I wrote your name in the sand, but the waves washed it away... I wrote your name in my heart, and forever it will stay.
Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007
Violência

"A Violência contra as Mulheres é talvez a mais vergonhosa violação dos direitos humanos. Não conhece fronteiras geográficas, culturais ou de riqueza. Enquanto se mantiver, não poderemos afirmar que fizemos verdadeiros progressos em direcção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz." Kofi Annan, Secretário Geral das Nações Unidas.

   Hoje ouvi uma "conversa  de consultório" onde várias mulheres falavam sobre a vida duma delas. Ela contava que havia sido casada durante 7 anos com um homem que todos os dias lhe batia. Em tom de brincadeira dizia a senhora que se um dia não apanhava já sentia a falta, já ficava triste.

   Infelizmente pelo nosso país existem milhares de mulheres que sofrem maus tratos físicos e psicológicos. Não pensemos que são só as pessoas de classe mais baixa, as pessoas menos informadas ou analfabetas. Não está escrito na testa. Não estava escrito na minha, nem do meu agressor... A maioria de vós não me conhece pessoalmente, alguns até conhecem e nem sabem e outros conhecem e não sabem a minha história. 

   A quem não me conhece eu faço uma pequena apresentação. Sou licenciada, trabalho numa instituição pública e pertenço a um grupo profissional que trabalha inclusivamente com mulheres vítimas de violência doméstica e outras. Sou da classe média, com bons recursos e venho de uma família nuclear onde imperava acima de tudo o amor e a compreensão e uma família alargada pautada pela amizade entre os seus membros e o apoio em muitas situações. Quem me conhece sabe que tenho uma personalidade demarcada e sou segura  no que faço.

   A primeira vez que me senti vítima de violência achei que era só impressão, uma situação pontual... foi um empurrão no meio de uma discussão. Erro meu. Devia saber melhor que começa assim. Ao ter permitido esse passo permiti tudo o resto. Depois começaram as agressões psicológicas. Muitas vezes fui humilhada em frente dos meus amigos, familiares e desconhecidos. Desde nomes pouco aconselháveis a histórias caseiras onde era enfatizada a minha reacção para provocar riso entre as pessoas que escutavam. No início fiquei "parada"... depois comecei a me sentir incomodada e abordei o assunto. A resposta foi sempre a negação do que acontecia, o diminuir a importância, a minha culpabilização.

   A capacidade das pessoas que infligem maus tratos em culpabilizar a vítima é descrita nos livros de psicologia, mas vivê-lo e senti-lo é muito diferente e complicado. Comecei a perder a minha alegria, a me sentir cada vez mais triste. Fui quase completamente isolada da minha família sob pena de sofrer consequências, foram-me negadas visitas á minha família nuclear e recusado o direito dos meus familiares frequentarem a minha casa. No meio de toda esta violência psicológica e moral, surgiam agressões físicas pontuais especialmente quando eu abordava assuntos delicados e outros problemas que se passavam no relacionamento. Tudo isto eu ocultei, tudo isto eu escondi... por vergonha assumo. Ingenuamente pensava que a reacção dos meus familiares e amigos seria a minha culpabilização também. Não vos consigo explicar, mas a sensação é a de estarmos a cair num poço sem fundo e sem possibilidade de escape.

   Felizmente para mim reuni forças e contei o que se passava, aos poucos, a uma amiga. Claro que a reacção dela não foi a melhor, não em relação a mim mas em relação a quem de mim abusava. A pergunta "Mas porque é que não disseste nada mais cedo?" pairava, assim como "E porque é que não o denunciaste ainda?"... mais fácil falarmos do que fazermos. Hoje em dia sei que não hesito se algo semelhante acontecer, mas foi preciso muita reconstrução interior para que novamente possa pensar assim.

    Não demorei 7 anos como a senhora que hoje conheci... libertei.-me na hora certa julgo eu... suportei enquanto não saia do meu marasmo psicológico, mas o meu despertar foi decisivo. Tive o apoio da minha família que tomou conhecimento do que se passava e claro como devem estar a pensar ficaram boquiabertos... dificilmente alguém desconfiara... apenas estranhavam a forma como eu era abordada verbalmente, mas longe de classificarem tal comportamento como violência conjugal e muito menos suspeitarem de outros maus tratos. Infelizmente muitas pessoas não consideram a coacção psicológica e as agressões verbais como violência doméstica.

   Ainda hoje são muito poucos os que sabem toda a minha história... acho que só eu e quem estava comigo (que nega qualquer comportamento violento para comigo!!!)... Enfrentei comportamentos julgadores da parte de pessoas que sem saberem o que se passara, e imaginando um mar de rosas (porque aos olhos menos atentos assim parecia...), condenaram a minha atitude de separação "brusca"... alguns afastaram-se de mim, outros olhavam-me com piedade ou desprezo... tudo isso eu passei. 

    Espero que se alguém está a passar pelo mesmo que eu passei ou pelo menos por uma situação parecida, lhe sirva este meu testemunho. Nunca me expus tanto neste blog e acreditem que custou hoje faze-lo. Ainda não consigo falar nisto sem evitar as lágrimas, sem pensar no tempo perdido e perguntar a mim mesma como é que eu fui capaz de deixar que alguém me fizesse tanto mal.

   Não escrevi este post para que tivessem pena de mim... isso foi uma coisa que sempre quis evitar. Escrevi sim porque se eu puder ajudar uma mulher com o meu testemunho já me considero satisfeita.

 

Definição de Violência Contra as Mulheres - Conselho da Europa:

"Qualquer acto, omissão ou conduta que serve para infligir sofrimentos físicos, sexuais ou mentais, directa ou indirectamente, por meio de enganos, ameaças, coacção ou qualquer outro meio, a qualquer mulher, e tendo por objectivo e como efeito intimidá-la, puni-la ou humilhá-la, ou mantê-la nos papéis estereotipados ligados ao seu sexo, ou recusar-lhe a dignidade humana, a autonomia sexual, a integridade física, mental e moral, ou abalar a sua segurança pessoal, o seu amor próprio ou a sua personalidade, ou diminuir as suas capacidades físicas ou intelectuais."

fonte : http://www.fjuventude.pt/programas/sites/violencia/ 

   No site acima existem conselhos sobre como agir em caso de violência e número de telefone da linha de apoio à vítima. Não hesitem e contactem a linha... às vezes só alguém nos ouvir já ajuda! Por outro lado se conhecem alguém que esteja a ser vítima deste tipo de violência tentem ajudar e se necessário denunciar, pois já é considerado crime público e provavelmente libertarão alguém duma tortura permanente.


sinto-me: exposta...

publicado por katrina19793 às 18:25
link do post | favorito

De Diabinha a 9 de Fevereiro de 2007 às 14:25
Se anteriormente ja t admirava por tudo o q passaste para t livrar desse pesadelo, agora admiro muito mais pela coragem de t expores desta maneira!

Que a força nunca t falte!!

Beijinhos


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